O mercado de trabalho gaúcho está pronto para o Tsunami Prateado?


A população de idosos do Rio Grande do Sul irá mais do que duplicar em quatro décadas. Em 2060, a proporção de pessoas com idade acima dos 65 anos saltará dos atuais 12,7% para 29%. E será que as empresas – e mesmo a própria sociedade – estão prontas para esse tsunami prateado, que influencia praticamente todos os segmentos da economia? Estima-se que a economia e o consumo de pessoas acima dos 50 anos já represente a terceira maior atividade econômica do mundo. Daqui apenas dois anos, mais de U$ 20 trilhões serão movimentados pela economia prateada.
O envelhecimento da população brasileira, seguindo a tendência mundial, já está sendo sentido, mas a projeção para o estado gaúcho acende um alerta, especialmente para quem está à frente de equipes de trabalho, independente do segmento. O que antes era genericamente chamado de ‘terceira idade’ já tem e vai ter cada vez mais particularidades. Uma pessoa de 60 anos é tão diferente de uma de 90 quanto uma criança de 10 anos é diferente de um adulto de 40. Há muita diversidade dentro dos 60 . Por isso é urgente que as pessoas comecem a encarar a maturidade a partir de um novo viés.
Ao tentar definir quem são e o que querem as pessoas com mais de 60 anos, alguns mitos são prontamente derrubados. Sim, esse grupo contém pessoas que se sentem bem física e mentalmente. São pessoas que se movimentam pela cidade, trabalham, namoram. E a relação delas com a tecnologia não é tão ruim quanto se pensa. Aliás, hoje é mais fácil achar uma avó numa academia de ginástica do que tomando chá numa cadeira de balanço, e está aí o motivo pelo qual chamamos essa fase de tsunami prateado.
Isso leva ao fato de que sim, os profissionais seniors vão permanecer mais tempo em atividade, desenvolvendo, em alguns casos, mais de uma carreira ao longo da vida. Mas o mercado precisa estar aberto a isso e oferecer espaço para que esses profissionais possam contribuir com sua experiência e também aprender com os mais jovens o que ainda não sabem.
É preciso estimular a intergeracionalidade nas empresas. A falta de cultura, de valorização da experiência, da sabedoria e do equilíbrio emocional podem afetar negativamente nossas empresas e nossa sociedade. Se as empresas aderirem esse olhar de integração entre as gerações, será possível perceber uma aprendizagem melhor graças à troca mútua e constante, além do conhecimento que será transmitido. Aqueles que estiverem dispostos a aderir essa prática vão enriquecer as relações, melhorar a produtividade, e melhorar a energia do local, que estará mais equilibrada.
Para os profissionais maduros, a dica é aproveitar as oportunidades para ampliar a capacitação, refletindo sobre quais conhecimentos podem contribuir. Já para as empresas que estão analisando contratar ou trabalhar com profissionais mais velhos, sugiro investir nos processos de aprendizagem contínua, promovendo ações para que a equipe seja receptiva e aberta às diferenças geracionais. O que não dá é para ficar apenas assistindo essa mudança grande acontecer e não se envolver de alguma forma. O grande desafio aos líderes é iniciar o movimento de reflexão dentro de sua organização, estimulando a mudança de paradigma om relação ao tema. Vale destacar que esse processo não deve envolver apenas quem está à frente da gestão de pessoas, mas toda a equipe.
O Tsunami Prateado não é um acontecimento futuro, ele já iniciou! Está na hora de o mercado gaúcho se movimentar rumo a esta nova realidade. Está na hora de esquecer a imagem da bengala, do cabelo preso ao coque, da pessoa reclusa em casa esperando a hora da morte. O mundo envelheceu. E o Rio Grande do Sul também.

 

* Texto publicado originalmente no portal Jornal do Comércio, por Monica Riffel, e reproduzido no blog Revolução Prateada.

 

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