Universidades americanas incluem idosos saudáveis no currículo


Objetivo é fazer com que alunos não tenham uma visão estereotipada da velhice

Para a quase totalidade dos estudantes de medicina, idoso é sinônimo de um conjunto de doenças crônicas e essa visão certamente tem influenciado a relação médico/paciente. A abordagem acaba ficando centrada em “consertar” ou “remediar” coisas que não funcionam mais como deveriam. Algo pior pode acontecer: as queixas não serem devidamente valorizadas por conta da idade – como se o indivíduo tivesse que conviver com uma dose extra de desconfortos.

Este artigo foi originalmente publicado no Portal G1.

No entanto, com o aumento da expectativa de vida, cresce o número de pessoas mais velhas que gozam de boa saúde e se mantêm em atividade. Esses novos velhos ainda não estão nos compêndios, mas já entraram no radar das universidades. Nos Estados Unidos, mais de 20 faculdades de medicina criaram programas cujo objetivo é combater a visão estereotipada do envelhecimento.

Idosos saudáveis e ativos: universidades dos EUA criaram programas cujo objetivo é combater a visão estereotipada do envelhecimento — Foto: Murray Foubister - https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=51843959Idosos saudáveis e ativos: universidades dos EUA criaram programas cujo objetivo é combater a visão estereotipada do envelhecimento — Foto: Murray Foubister - https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=51843959

Idosos saudáveis e ativos: universidades dos EUA criaram programas cujo objetivo é combater a visão estereotipada do envelhecimento — Foto: Murray Foubister – https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=51843959

Em reportagem publicada semana passada, “The New York Times” mostrou que a Weill Cornell Medicine, por exemplo, convidou idosos ativos para conversar com os estudantes do segundo ano, num curso de introdução ao paciente geriátrico. A vitalidade dos participantes simplesmente não cabia no roteiro médico tradicional, como foi o caso de Elizabeth Shepherd, atriz de 82 anos que ainda dá aulas sobre Shakespeare.

Sim, ela tem problemas de saúde, como degeneração macular, e já sofreu uma queda no metrô, mas ainda tem disposição para envolvimentos amorosos: depois de dois divórcios e algumas experiências homoafetivas, tem um relacionamento com um homem de 65 anos. De acordo com o doutor Ronald Adelman, que desenvolveu o programa, o ambiente hospitalar, no qual se dá o aprendizado dos futuros profissionais, acaba reforçando os estereótipos, já que os universitários só convivem com indivíduos com a saúde deteriorada, debilitados ou dementes.

Um jovem que opte pela especialização em pneumologia vai descobrir que 35% dos seus pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica têm mais de 65 anos. Endocrinologistas verão que quase 40% dos diabéticos também estão nessa faixa etária, mas boa parte deseja outro tipo de relacionamento no consultório.

Mais informados e demandantes, os novos velhos cada vez mais lutarão contra a infantilização do idoso, que muitas vezes começa no consultório, quando um adulto é tratado como se não fosse mais autônomo e independente. Os médicos não deveriam, inclusive, tentar impedir que seus pacientes pesquisem na internet.

Em primeiro lugar, porque eles não deixarão de fazê-lo. Em segundo, porque, bem informados, podem ser aliados do profissional de saúde. Pesquisa realizada pelo médico australiano Anthony M. Cocco apontou que sites de hospitais e universidades, que trazem informação de qualidade, podem ser extremamente úteis, porque os pacientes se tornam mais articulados para descrever seus sintomas e entendem o que é esperado deles, com maiores chances de êxito para o tratamento.

Este artigo foi originalmente publicado no Portal G1.

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